Me perdoem os que torceram pela candidatura da cidade do rio à sede das olimpíadas, se não compartilho do mesmo entusiasmo. Fiz torcida contra desde o lançamento da candidatura e só por isso vou ser apontado como traidor da pátria ou coisa que o valha? pode até ser, mas vou expor meus motivos e espero que encontre alguém que venha a concordar comigo. Acho que será impossível, parece que todo mundo é a favor da olimpíada, e pelo que vejo noticiado na mídia parece que todo o país estava na torcida. como pode isso? será que esses que apoiaram tem a mínima idéia do custo e do impacto que isso irá representar na economia do país? R$ 25,9 bilhões! pasmem, mas é isso. E só estamos falando do orçamento previsto, que sabemos que sempre é extrapolado, como aconteceu com o Pan, onde o gasto final foi 800 vezes maior que o previsto inicialmente! daria pra  contruir quantas casas populares? daria pra tirar quantas famílias que moram nas favelas que existem no próprio Rio de Janeiro, onde será a sede? Sim existem favelas no rio, apesar do vídeo promocional não mostrar. Existe violência, pobreza e exploração infantil e tráfico, muito tráfico. Mas parece que o presidente lula e sua corja, ops, comitiva não se deram conta disso. Não sou contra esportes, sei da importância de se fomentar sua prática e disseminar seus valores. A grande questão é que esse evento não será para a maioria de nós brasileiros, que vivemos com 01 salário mínimo ou menos.será para poucos, como sempre.
Os outros candidatos a sede foram Chicago, Madri e Tóquio e em todos eles foram feitas pesquisas para saber o que o povo achava de sua cidade sediar as olimpíadas, e adivinhem o que houve? em TODAS a maioria da população foi contra, alegando que o dinheiro seria melhor empregado se fosse aplicado em educação, por exemplo. interessante não? as cidades são ricas, ficam em países com elevado grau de desenvolvimento, o povo tem acesso a educação, saúde e segurança e mesmo assim a maioria do seus habitantes achou melhor não investir nas olimpíadas. Já o Rio de Janeiro é o paraíso na terra que conhecemos bem dos noticiários, mas a maioria de sua população deu seu apoio, influenciada é claro, pela mídia e pelo nosso folclórico presidente. Qual o interesse desses grupos em promover essa campanha? se pensou em lucro, acertou em cheio. A mídia irá lucrar como nunca com a transmissão dos jogos...e os políticos? bem, estes sabemos como irão lucrar quando o assunto são obras com o nosso dinheiro. Na roma antiga o imperador, para enganar o povo ignorante e faminto, promovia lutas sangrentas de gladiadores nas arenas e distribuia pão, o conhecido pane et circenses, pão e circo. Nossos políticos de agora reiventaram essa política com o bolsa-esmola-família no lugar do pão e as olimpíadas no lugar do circo. Mas como todos sabemos, circo que se preze sem  palhaço não dá. Adivinhe quem  será o palhaço? você, eu e o resto do povo, mais uma vez...   

O Brasil é o país do futuro...mas que futuro será esse?

Agora entendo porque Stephen Zweig se matou. Como pode um cidadão, com o mínimo de neurônios funcionando no cérebro suportar a latrina na qual a mídia, aliada a omissão do governo transformaram nossos lares e mentes nos últimos anos? essa invasão de funk, axe music e outros exemplos mais toscos ainda que influenciam nossos jovens 24 horas por dia, ditando padrões de comportamento. Quem se beneficia desse processo sistemático de alienação que nosso povo sofre todos os dias? Alguns podem achar preconceituosas tais afirmações, alegando que temos o direito de fazer o que acharmos melhor. Será mesmo? podemos abrir a boca e dizer sinceramente que não somos influenciados deliberadamente a consumir o que  esses grupos nos impõe? Zweig viveu em época de guerra, era judeu, conviveu com o pior da miséria humana, teve que fugir para não morrer e mesmo assim, concebia um mundo melhor, um país que poderia ter um futuro digno de se sonhar. Seu maior medo era cair nas mãos da alemanha de Hittler, que adotara a solução final   para resolver "o problema judeu". Ledo engano, Zeiwg se matou, o futuro chegou e com ele o festival de "bundalização", com os trios elétricos, bailes funks e aparelhagens sonoras com  ampla cobertura da mídia promiscuindo de norte a sul nossas meninas e meninos. O futuro chegou e com ele o exército armado agora é o das milícias, dos traficantes, sem contar o maior:  O de favelados sem vez em sem voz, mantidos pela política assistencialista de governos que se dizem populares, esses sim sustentados pela miséria desse mesmo povo a quem deveria dar assistência. Hitler tentou exterminar aqueles a quem ele considerava inferiores, os governos atuais perceberam que é mais lucrativo mantê-los como gado, ressuscitando a política romana do panes et circenses, do pão e vinho, ou seja da bolsa escola e da mídia escravizadora a serviço do estado.

Cotas para negros e pardos nas universidades, políticas de inclusão para pobres e ódio racial. As ações afirmativas e sua repercussão.




                       Se traçarmos um paralelo entre o sistema de cotas adotado no brasil tendo como base no modelo americano poderemos observar que não houve uma adequação do sistema adotado nos EUA a nossa realidade. Os pensadores e cientistas envolvidos a priori copiaram o modelo sem levar em conta as infinitas variantes socio-historico-culturais que existem entre essas nações. O atual governo brasileiro, deveria substituir esse sistema racial por um modelo social, ou seja, no lugar de cotas para negros deveria instituir cotas para pobres, dada a questão social no país onde o grande excludente não é a raça e sim o baixo nível de renda da população. Em outros paises,(a exemplo os EUA) a segregação racial é mais flagrante que a social, sendo assim ao importarmos o modelo americano sem levar em conta esse aspecto, estaremos criando uma situação artificial que não condiz com a realidade de nosso país, aumentando assim o processo de baixa auto-estima dos estudantes negros que passam a ser vistos como menos aptos em comparação com os alunos ditos brancos.
Esse entrave não se dá apenas no campo ideológico, tendo também implicações políticas uma vez que a própria constituição brasileira afirma que todos são iguais, não havendo distinção por credo, cor, etc. tornando assim inconstitucional o atual sistema de cotas. Mesmo nos EUA esse sistema esta sendo abolido por não atender as espectativas de inclusão, onde culminou sim para o aumento da discriminação racial pouco contribuindo para a integração do estudante negro na sociedade. As assim chamadas ações afirmativas não se adequam ao sistema educacional como podemos inferir do próprio modelo americano de onde foi importada.
Uma política educacional que não leve em conta a historia da população a que se destina será fadada ao insucesso, no caso brasileiro não podemos estabelecer como critério de cotas a dicotomia brancos X negros, nossa sociedade tem mais implicações e a maior delas é a social. Essas medidas adotadas são inadequadas por não contemplarem esse prisma; um branco carente tem tanta dificuldade de ingresso nas instituições de ensino quanto um negro pobre. Se em lugar de cotas para ingresso nas universidades fosse adotada uma política de bolsas para alunos carentes por exemplo, o universo de alunos atendidos seria maior. Esse recorte equivocado da sociedade feito por nossos governantes e seus teóricos só contribui para o aumento da discriminação contra os negros.
As políticas afirmativas adotadas em outros países tem uma clientela bem definida(o que não ocorre no brasil): Imigrantes na espanha e bélgica; minorias étnicas no irã, índia e canadá etc. Essas populações pouco se misturaram e podem ser separadas de maneira mais eficaz em um contexto maior o que já não ocorre no brasil onde o processo de miscigenação que vem ocorrendo desde a época do descobrimento não nos permite dividir com clareza a parcela negra da branca numa população tão heterogênea quanto a nossa. Apesar desses indicadores o governo brasileiro continua a adotar o modelo bi-racial americano onde não há a presença de categorias como pardos, mulatos, morenos só existindo a de negros e brancos.
A grande questão a ser levada em conta é de que cada grupo, seja o seu extrato analisado étnico, social, religioso dentre outros deva ter políticas educacionais próprias que devem ser tratadas dentro de suas especificidades igualando os desiguais e não acentuando as suas diferenças.
Outra questão que deve ser levada em conta no processo de acesso às intituições de ensino superior e a de que o maior entrave se dá já na educação basica. Os investimentos na área educacional devem proporcionar ações que fomentem o ingresso e a permanência do aluno( seja de qualquer extrato) na educação básica e nos demais níveis de ensino. Ações que melhorem o nível de ensino na escola pública, que aumentem os indicadores sociais possibilitariam um maior acesso destes alunos às intituições. o governo deveria adotar políticas nesse sentido abrangendo uma parcela maior da sociedade.












Avaliação de desempenho dos professores


O governo mal dá os primeiros passos para que seja adotada a avaliação de nossos professores, e já enfrenta reações adversas de vários setores, como entidades de classe e divide opiniões de especialistas na área de educação, aumentando acirrando ainda mais o debate. O conselho nacional de educação (CNE) prevê essa avaliação através das diretrizes para os planos de carreira do magistério, homologadas em junho pelo ministro Fernando Haddad, e deixa a cargo de estados e municípios a maneira com a qual essa avaliação será executada e como isso irá influir na carreira dos profissionais. Avaliar é uma etapa importante e deve ser levada em consideração sim, principalmente se levarmos em consideração que vivemos numa sociedade altamente competitiva, que exige cada vez mais qualificação por parte dos profissionais e estes por sua vez devem estar preparados para estas mudanças para poder repassá-las a seus alunos. O questionamento gira em torno do método de avaliação a ser utilizado e o que será feito com esses dados, sua utilização para melhorar o sistema ou simplesmente como plataforma política, como se tem observado em outros pontos relacionados à educação em nosso país. É flagrante que os incentivos à qualificação dos profissionais são insuficientes para atender a toda a demanda, que os salários estão aquém do ideal, levando este trabalhador muitas vezes a trabalhar em vários locais para melhorar seus vencimentos, aumentando assim sua carga horária e diminuindo consideravelmente o tempo que este profissional poderia dedicar à sua família e a si mesmo. Longa jornada de trabalho, baixos salários e poucos incentivos são os fatores que contribuem para que a educação brasileira tenha índices tão baixos em todas as áreas. Valorizar o professor, criar oportunidades reais de qualificação, rever a política de cargos e salários é tão ou mais importante que avaliar o quadro educacional como está. Basta um olhar leigo para observar as mazelas de nosso sistema educacional. O governo deveria promover primeiramente essas reformas para depois avaliar o profissional.

José Cláudio Soares é professor.

O que resta de mim...

Minha garganta dói, na falta da voz minha mão fala por mim, só que sem a educação e afetação daquela. Enquanto a voz é agradável e procurada, desejada por quase todos, a mão é áspera, calosa, de unhas roídas e sujas, nunca elogiada, apenas manipulada como seu destino ordena. mas como tudo que é oprimido e sofrido durante muito tempo, sabe muito bem o que dizer quando tem direito a voz, direito a vez. Não diz o belo, nem o correto, fala do torto, do roto, do abjeto. Fala  do que não aparece na novela ou nos reclames de cerveja. Não agrada a ninguém, nem a si mesma, posto que apenas abre portas, serve aos outros, nem um afago pode fazer a si própria, depende de suas iguais e da vontade alheia que está sempre preocupada com outros assuntos. Aproveita então esse momento e crie, grite, subverta tua condição de instrumento e mude a tua sina! Seja agora a portadora, a voz que fala solitária como o próprio vício, mas que fala por muitos...

Investígio

Olfato ou tato
um cheiro falso
a brisa traz

um brilho antigo
brinca comigo
de anos atrás


(Paulo Leminski.)


enviado por cris pessoa( foxcisco@hotmail.com)

Igrejas da prosperidade


Vivemos, num país que se pressupõe democrático, um modelo de estado laico onde o cidadão tem o direito de professar qualquer tipo de crenças, e é essa interpretação que, se mal interpretada, pode induzir a erro. O governo, dentro desse preceito durante anos deixou essas seitas e/ou denominações proliferarem sem a devida fiscalização, e algumas dessas associações se valendo da boa fé, da desinformação e muitas vezes do desespero de seus membros passaram a sistematicamente explorá-los cobrando o chamado dizímo, usando fragmentos descontextualizados da Bíblia para alicerçá-los. Cada um, como dito no início, é livre para acreditar no que desejar, segundo a sua consciência, não vejo problemas em pagar para assistir um espetáculo musical, ou uma sessão de cinema, teatro ou circo, assim como não veria em pagar uma determinada quantia a alguma dessas denominações caso seguisse a qualquer uma delas. Nossa sociedade é capitalista e como tal tem como força motriz o dinheiro, não sendo diferente quanto a questão religiosa. A salvação do espírito não é mais o foco dessas entidades, esse foi posto a margem para dar lugar a salvação financeira que é largamente aclamada em púlpito, no rádio e na tv para todos verem e ouvirem. Particularmente falando e sem querer ofender, posso até estar errado e não saber o que deus é, mas sei o que ele não é, mas cada um tem o Deus que merece e o encontra onde quiser. O meu eu não encontro em cédulas de dinheiro.
                
                               José Cláudio Soares é professor e livre pensador.