A palavra certa

Quando conheci você te ofereci uma flor, recurso universal dos enamorados. Plantastes então dúvidas e curiosidades. Logo te mostrei o meu (quase nunca usado) sorriso sincero e recebi em troca olhares de desconfiança.
Procurei as palavras, minhas e de outros para evidenciar minhas certezas e sentenças – em vão. Citei Leminsk, Bandeira e Whitman; cantei Baden, Cartola e tantos mais; todos os dias. Ouvi injustiças.
Por pecados meus de ontem, há muito esquecidos, pedi perdão e até pelos de um improvável amanhã. Quebrei barreiras dizendo a mim, ao mundo e a ti o quanto és e o que és. Encontrei no eco de minhas palavras não aceitas a certeza de que, se estava fadado a sofrer, seria por ti.
 - Tamanha era (é) minha certeza deste e de todos os sentimentos idos ao teu encontro que não encontram abrigo.
Existe a palavra certa para exprimir o que sentimos e pensamos? Existe o momento certo para saber amar?
Sempre achei que palavras são como roupas, muda-se o estilo e quem veste/escreve muda também. Não media o tempo, vivia a certeza da brevidade da minha existência e me agarrava as minhas convicções com tanta força e paixão que cada fim de dia era comemorado como um milagre em particular, verdadeiro momento da criação. O mais próximo de Deus que pude chegar.
Mudei minhas vestes, parei o tempo – tu, meu universo particular.  – com leis e regras próprias. Onde sou pequeno como uma gota, infinito e completo.
Você é meu lugar, minha terra onde os dias tem todas as horas, as tristezas e alegrias são infinitamente maiores.
 Não sou sombra, sou de carne e agora sangro.
Sou bom porque sou contigo
O que não fui e nunca quis ser.
Você pode não ser minha alma, mas ajudou a moldá-la.



Brilho dos meus olhos, alvo de meus desvelos...

"Uns tomam éter,outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria..."(M.bandeira)


E eu que, no decorrer dessa minha vida desregrada, loucos anos, tive muito e pouco dei de mim. Quis demais e nada (re)tive. Procurei na artificialidade momentânea da expirementação o que não encontrei em nenhum ser vivente. 

Sem promessas, ou aviso, apareceu e criou laços e me deixei entrar nesse estado de querer, poder ser e desejar, não voluptuosamente apenas, mas com um desejo irradiante a ofuscar meus olhos e queimar a pele.

Ainda sinto as dores e vivo muito do cinza
Ainda temo e sofro meus males
Mas no horizonte que contemplo
em verdade de sentimentos e quereres digo
Alma minha, está aqui: Você
Brilho dos meus olhos, alvo de meus desvelos...



   

O que é a didática do ensino superior e como você compreende a didática na atualidade?



A didática é a ferramenta mais importante para o profissional de qualquer nível de ensino e deve ser levada em conta em todas as etapas deste, tem lugar desde o planejamento das atividades até o momento da avaliação. Ela reúne os saberes e valores que serão repassados à clientela e que tornarão a disciplina interessante e acessível. A didática na academia deve ser um dos principais recursos a ser contemplados e deve ser buscada como pré-requisito per se para ser diferenciada, abrangente. Enquanto técnica de dirigir e orientar a aprendizagem deve estar sempre em processo de construção; como técnica de ensino definirá o nível de comprometimento do profissional, pois este deve estar sempre atualizando sua relação com a(s) disciplina(s) que ministra. Como ferramenta sua aplicação é limitada a percepção que o usuário faz da importância dela, e quanto maior a necessidade de se trabalhar este ou aquele aspecto maior será a necessidade do profissional em dominá-la.

(José cláudio soares, Professor, Especialista em Docência do Ensino Superior)

BAIÃO DE DOIS



Trabalho em uma cidade onde a migração nordestina foi intensa e onde a cultura dessa região se faz muito presente. Apresento um prato (com algumas modificações minhas, para o prato original cliqueaqui) que aprendi a gostar muito.

Baião de dois
1 kg de feijão
½ kg de arroz
½ kg de queijo coalho
1 cebola grande picada
Alho picado
cebola
100g de bacon
Cheiro verde
Pimenta e cominho
Coloral (ou urucum)
Sal a gosto
 Modo de preparo
Leve o feijão ao fogo em uma panela com ½ litro de água, quando o feijão começar a amolecer, corte o bacon e frite com alho e cebola, cheiro verde, sal, pimenta e cominho. Acrescente ao feijão e jogue o urucum. Deixe ferver e coloque o arroz. Quando a água começar a secar, misture o queijo picado, baixe o fogo e deixe terminar de cozinhar. Sirva sozinho ou como acompanhamento.

BADEN POWELL


        Em minha opinião, o maior violonista do mundo. Apaixonei-me pelo instrumento ao ouvi-lo tocar e pela sua história vida também, ao pé do morro do Tuiuti, pegado ao morro da mangueira, ambiente musicalmente rico e cheio de contrastes que colaboraram (aliados a influência do pai, “seu” Lilo de Aquino, requisitado das rodas musicais de chorões) para o desenvolvimento desse mestre da nossa música. Travei contato com seu trabalho por ser admirador da obra de Pixinguinha, com quem tocou (Pixinguinha já era músico renomado, quando conheceu e percebeu a genialidade do jovem músico). Adorei a sonoridade e fui pesquisar quem eram os músicos descobrindo então um Baden Powell em início do que viria a ser uma carreira prolífica e magistral. Virtuose mesclou violão popular, samba, elementos do choro (das rodas que frequentou com o pai desde cedo), jazz, bossa nova e violão clássico.
Da parceria com Vinícius de Moraes (uma das mais férteis de nossa música), temos dois gênios que se somaram e produziram obras primas como berimbau e entre 1962 e 1965 o poderoso conjunto de onze canções entre elas canto de xangô e canto de ossanha  - os consagrados afro-sambas - dentre outros. Uma de minhas prediletas é samba de prelúdio.
A parceria com Paulo César Pinheiro, seguramente o maior letrista da MPB (samba do perdão e aviso aos navegantes, gravados por Elis Regina) com canções imprescindíveis como violão vadio e é da lei.
O fato de se tornar evangélico ao fim da vida e ter alterado alguma de suas músicas não o diminui como o artista que sempre será. Dono de um domínio musical próprio, definitivo.
Para saber mais acesse: http://pt.wikipedia.org/wiki/Baden_Powell

Minha alma, minha palma

Fiz minhas as palavras alheias para reforçar e gritar ao mundo os sentimentos, que afloram a todo momento:
Funestas horas, assombradas horas
Aquelas, sem tua amada presença
Me abate cruel, a louca descrença
Ai, se me esqueces, ai, se me ignoras...

O mundo é nada, apenas solidão
Como um imenso mar em desespero
Para onde seguem rios em desterro
Sem causa ou verdadeira motivação

Tu és vida, sol que dá luz, aquece
Prémio a toda minha súplica, à prece
Feita com tanta fé, refrigério d’alma

E, há tanto encantamento, de tal forma
Mesmo no céu, não há lei ou norma
A me furtar teu amor, a minha palma
  
Vera Linden, São Leopoldo, Brasil - Retirado de: http://luaafricana.blogspot.com.br/2011/04/minha-alma-minha-palma.html

O Pequeno Príncipe (trecho)

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E eu não tenho necessidade de ti.

E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"