Cotas para negros e pardos nas universidades


Cotas para negros e pardos nas universidades, políticas de inclusão para pobres e ódio racial. As ações afirmativas e sua repercussão.

JOSÉ CLÁUDIO SOARES¹

Se traçarmos um paralelo entre o sistema de cotas adotado no brasil tendo como base no modelo americano poderemos observar que não houve uma adequação do sistema adotado nos EUA a nossa realidade. Os pensadores e cientistas envolvidos
a priori copiaram o modelo sem levar em conta as infinitas variantes socio-historico-culturais que existem entre essas nações. O atual governo brasileiro, deveria substituir esse sistema racial por um modelo social, ou seja, no lugar de cotas para negros deveria instituir cotas para pobres, dada a questão social no país onde o grande excludente não é a raça e sim o baixo nível de renda da população. Em outros paises,(a exemplo os EUA) a segregação racial é mais flagrante que a social, sendo assim ao importarmos o modelo americano sem levar em conta esse aspecto, estaremos criando uma situação artificial que não condiz com a realidade de nosso país, aumentando assim o processo de baixa auto-estima dos estudantes negros que passam a ser vistos como menos aptos em comparação com os alunos ditos brancos.
Esse entrave não se dá apenas no campo ideológico, tendo também implicações políticas uma vez que a própria constituição brasileira afirma que todos são iguais, não havendo distinção por credo, cor, etc. tornando assim inconstitucional o atual sistema de cotas. Mesmo nos EUA esse sistema esta sendo abolido por não atender as espectativas de inclusão, onde culminou sim para o aumento da discriminação racial pouco contribuindo para a integração do estudante negro na sociedade. As assim chamadas ações afirmativas não se adequam ao sistema educacional como podemos inferir do próprio modelo americano de onde foi importada.
Uma política educacional que não leve em conta a historia da população a que se destina será fadada ao insucesso, no caso brasileiro não podemos estabelecer como critério de cotas a dicotomia brancos X negros, nossa sociedade tem mais implicações e a maior delas é a social. Essas medidas adotadas são inadequadas por não contemplarem esse prisma; um branco carente tem tanta dificuldade de ingresso nas instituições de ensino quanto um negro pobre. Se em lugar de cotas para ingresso nas universidades fosse adotada uma política de bolsas para alunos carentes por exemplo, o universo de alunos atendidos seria maior. Esse recorte equivocado da sociedade feito por nossos governantes e seus teóricos só contribui para o aumento da discriminação contra os negros.
As políticas afirmativas adotadas em outros países tem uma clientela bem definida(o que não ocorre no brasil): Imigrantes na espanha e bélgica; minorias étnicas no irã, índia e canadá etc. Essas populações pouco se misturaram e podem ser separadas de maneira mais eficaz em um contexto maior o que já não ocorre no brasil onde o processo de miscigenação que vem ocorrendo desde a época do descobrimento não nos permite dividir com clareza a parcela negra da branca numa população tão heterogênea quanto a nossa. Apesar desses indicadores o governo brasileiro continua a adotar o modelo bi-racial americano onde não há a presença de categorias como pardos, mulatos, morenos só existindo a de negros e brancos.
A grande questão a ser levada em conta é de que cada grupo, seja o seu extrato analisado étnico, social, religioso dentre outros deva ter políticas educacionais próprias que devem ser tratadas dentro de suas especificidades igualando os desiguais e não acentuando as suas diferenças.
Outra questão que deve ser levada em conta no processo de acesso às intituições de ensino superior e a de que o maior entrave se dá já na educação basica. Os investimentos na área educacional devem proporcionar ações que fomentem o ingresso e a permanência do aluno( seja de qualquer extrato) na educação básica e nos demais níveis de ensino. Ações que melhorem o nível de ensino na escola pública, que aumentem os indicadores sociais possibilitariam um maior acesso destes alunos às intituições. o governo deveria adotar políticas nesse sentido abrangendo uma parcela maior da sociedade.


1 – Pedagogo; especialista em docência do ensino superior; especialista em psicopedagogia. Técnico em educação.

Piriguetes, Gaby Amarantos e aparelhagens


Esse ano, o Brasil e em especial os paraenses testemunharam a explosão da cantora e projeto de cover da Beyoncé Gaby Amarantos. Nada contra a minha conterrânea, gosto é gosto, vivemos num país dito democrático onde temos que aprender a conviver com as diferenças, sem contar que ela merece seu lugar ao sol e os 15 minutos de fama que está recebendo agora.
O que me preocupa enquanto educador é o tipo de modelos estamos oferecendo aos nossos jovens. Nas novelas e demais programas de televisão mostram atrizes lindas vestidas de "periguetes", ao som do "tecnobrega", o que acaba por influenciar as pessoas a seguirem essa tendência. O perigo mora justamente ai, nessa glamorização. As atrizes que aparecem rebolando e dançando em trajes sumários são muito bem pagas e estão representando um papel, dificilmente utilizam na vida real modelitos mostrados nas novelas e muito menos escutam ou participam de festas onde esses estilos musicais tocam. Essa é a industria televisiva que lucra com isso, deixando de mostrar a prostituição,violência e uso de drogas sempre presentes em festas de aparelhagens, onde a grande maioria dos frequentadores é menor de idade, de baixa renda e não muitas vezes longe do ambiente escolar e com pouco ou nenhum suporte familiar. Quem mora em Belém do Pará sabe ao que estou me referindo e pode atestar em plena semana essas festas acontecendo em todos os bairros da cidade com quase nenhuma fiscalização das autoridades salvo aquela parada estratégica da polícia que todos sabemos para que é. Não tenho nada conta os músicos que vivem disso, nem contra os donos de aparelhagens, emissoras de televisão e rádio, eles só estão ganhando seu dinheiro e deixando o ônus para a sociedade.
Não são os filhos e filhas deles que estão em situação de risco. Clamo as autoridades competentes que tomem medidas mais severas em eventos desse porte e coíba o ingresso de menores de idade. Não é uma simples questão de gosto "cultural"  cada um pode fazer o que quiser desde que tenha discernimento para isso, como cidadãos devemos combater essas mazelas embutidas nesses modismos que catalizam e amplificam os problemas sociais de uma população já fragilizada, como acontece no Rio de Janeiro com os bailes funk,onde observamos os mesmos aspectos já relacionados aqui.

Para saber mais: clique aqui

Esse é um bom exemplo da nossa cultura
La Pupuna - Ela é americana



Para relaxar...

....um clipe de meu irmão tomé azevedo : Filha de Yemanja - Juliele


O amor

Dar é dar.
Fazer amor é lindo,
é sublime,
é encantador,
é esplêndido,
mas dar é bom pra cacete.

Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca,
te chama de nomes que eu não escreveria,
não te vira com delicadeza,
não sente vergonha de ritmos animais.

Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar,
sem querer apresentar pra mãe,
sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.

Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral,
te amolece o gingado, te molha o instinto.

Dar porque a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante, e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para as mais desavisadas, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazia.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar,
para apresentar pra mãe,
pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que cê acha amor?".
Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda,
muito mais do que
qualquer coisa,
uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa,
cura o mau humor,
ameniza todas as crises e faz você flutuar
o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua.

Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, suas amigas perdoam.
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Mas... experimente ser amada."

Me diga o que é o amor...

Me diga você, que já viveu muitas vidas e ainda assim não sentiu a bela brisa da manhã de fins de novembro, quando parece que o mundo conspira pra fazer-te feliz ( a despeito de teus sentimentos de melancolia), me diga como poderemos ser felizes em fim, como poderemos esquecer nossos erros e cavalgar juntos em busca da tão sonhada felicidade propagandeada em anúncios de neon, no meio de ruas pelas quais não passamos. Enquanto outras pessoas exercem sua tão hábil futilidade, ainda consigo vislumbrar( e me comover com ) os teus olhos pequenos e sábios a me cortejar, mesmo quando me dizes os maiores absurdos lembrando de meus erros, de coisas e de pessoas que não mais povoam um minuto sequer de minha lembrança e que não atribuem, agregam ou retiram nada do que sou e quero pra mim.
pense e lembre sempre que és minha certeza, meu vórtice. Minha vontade se queda e se move em função e por você. Quero meus momentos contigo. teu sussurro, teu sorriso, me alimentam e me dão um norte um futuro e uma certeza. teus braços como minha fortaleza, meu ponto de partida e terra não explorada a grassar, como naufrago ou corsário, mas sempre na certeza de que cada momento, ´por mais fugaz que seja, torna-se perene quando lembro da vida abismal que tive..antes de me sentir aquecido pela estrela da manhã que você representa em minha vida.



"Os Movimentos imigratórios no Brasil

Nosso  país é uma terra de contrastes. Desde a época da colonização portuguesa, às entradas dos bandeirantes perpassando o ciclo da borracha e da cana de açúcar, fomos movidos por essa força que é a mão de obra invisível, mal remunerada e aproveitada a exaustão de negros escravos,índios catequizados, migrantes italianos, nortistas da borracha e nordestinos construindo ideais megalomaníacos como Brasília, capital da esperança, do "país do futuro" como diria Zweig
Passado o boom expansionista e com o advento da globalização, pode-se pensar que o fenômeno de êxodo social tão estudado em décadas passadas estaria em em fase de equilíbrio e diminuição. Ledo engano; mudamos o panorama econômico e cultural em muitas frentes mas o cerne da questão ainda é o mesmo. persiste a necessidade de políticas públicas que contemplem o desenvolvimento econômico sem que para tanto se formem "bolsões" de desenvolvimento artificiais, carentes de mão de obra não especializada. Esse fenômeno, já há muito entronizado em nossa cultura, colabora para os movimentos sazonais de migração para os grandes centros, em busca de melhores condições de subsistência, fuga da fome, da violência. muda-se o cenário, mas os atores são os mesmos. Nossas "zonas francas" mostraram-se insuficientes e ineficazes para garantir autonomia de geração de emprego e renda. A exploração do potencial turístico no nordeste não absorve e/ou atende a demanda por trabalho. Continuam ainda a vender o sonho de uma vida melhor os estados de São paulo e Rio de Janeiro, amparados pela campanha estatal como as da copa do mundo por vir que trará empregos e renda. Vivemos a época da informação, mas nossa sociedade em sua maioria carece do básico, e por esse motivo ainda persistirá, em ampla expansão a figura do retirante, com olhos tristes e esperançosos a espera do seu tão almejado, e de várias formas cantado, contado e quase nunca alcançado, lugar ao sol. 

Para refletir



       A história é sempre contada pelo prisma do vencedor, não existem lados, o que existe é vontade de se perpetuar no poder e tirar proveito disso, não importam cores nem siglas, a venalidade sempre estará entranhada em nossa sociedade enquanto formos "gado", comprando a ideologia do momento e gritando sem sentido coisas das quais não entendemos mas que nos parecem certas. E esse é justamente o discurso dos "intelectuais" que grosso modo são o outro lado da moeda dos que estão no poder. Acredito na lisura e probidade de uns poucos, mas a maioria de nossos representantes, quando consegue chegar ao poder, se deixa corromper por ele. 
Como dizia o xará do meu cachorro, Nietzsche, que entendia do assunto: "para algo parecer verdade basta ser imposto e repetido". 
Simples e eficaz repetir, (uma idéia, uma imagem etc..)é o segredo quando queremos que alguém acredite. Assim fazem os mentirosos ocasionais e os profissionais, os pregadores, dentre outros. Lindberg Farias, por exemplo, era presidente da une em 1992, participou do movimento caras-pintadas e apoiava o impeachment do então presidente fernando collor de melo. Verdadeiro lider estudantil, incitou muitos estudantes a irem as ruas, os rosto pintados com as cores da bandeira nacional, gritando palavras de ordem aprendidas ali mesmo, um saudosismo de um período que não viveram (das passeatas estudantis contra a ditadura) influenciados pela mídia que agora virava as costas ao presidente que ajudara a apoiar. Anos se passaram e vemos esse mesmo líder estudantil transformado em político com longo histórico, não mais de militância em prol da nação mas de acusações fraude, propina, e superfaturamento de licitações. Na política esse exemplo, infelizmente parece regra, não exceção.
Qualquer um que queira fazer sua visão prevalecer deve ser hábil em repetir a própria idéia e jamais mostrar que, ele mesmo, não acredita no que diz. Se bem ou mal intensionado, isso a história julgará, mas enquanto nos influenciarmos por discursos sem prévio julgamento e análise crítica e nos empolgarmos pela revolução do momento que as midias apoiam, continuaremos merecendo a pecha de gado, necessitados de capatazes oportunistas.

Em casa , em paz

Ossos do ofício, que malfazeja expressão, desperta pensamentos do tipo: "se pintar coisa melhor eu largo". Ainda acredito que todos temos a profissão que escolhemos e nem sempre a que merecemos. Eu adoro o meu trabalho, amo o que faço.
Apesar das dificuldades foi o que eu escolhi pra ser e fazer.  A mim o que importa é estar bem comigo mesmo, e com a carreira que escolhi.
Pelo menos vivo segundo meus princípios. Feliz com meu lado profissional e completo com o meu lado pessoal. As ervas daninhas eu vou cortando aos poucos, pois acredito ainda que odiar e me ressentir só fará mal a mim mesmo. Mas ao  menos eu vivo, com alegria e fé (não aquela que a mitologia religiosa oferta). Minha carreira merece (e tem) toda a minha atenção. O resto a mim não importa, e nessa filosofia vou vivendo e produzindo, deixando  aos infelizes e ressentidos a dor e a tristeza de suas vidas pequenas e sem sentido. Triste do ser  humano que vive expectativas  alheias e que nutre apenas rancores pelo que não conquistou.

                                               Trabalho





Muito disso


Continuo cético, mas que esse pensamento é muito pertinente é:

"A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração,sorrir às pessoas que não gostam de mim, para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam,calar-me para ouvir, aprender com meus erros,afinal, eu posso ser sempre melhor!
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,Para que eu possa acre
ditar que tudo vai mudar,a abrir minhas janelas para o amor.E não temer o futuro,A lutar contra as injustiças.Sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade.Para que eu possa acreditar que tudo vai mudar."
Charles Chaplin

Eu não acredito no futuro da humanidade...


...ao menos num futuro inteligente. Como a mesma espécie que produz um Beethoven  e um Saramago pode produzir (aos milhares) Funkeiros, pagodeiros e os muitos paulos coelhos que aparecem todos os dias? a mídia nos bombardeia de subcelebridades, as novelas vulgarizam a figura da mulher, isso pra não falar da erotização de nossas crianças e adolescentes. Enquanto esse lixo midiático é veículado à exaustão, questões mais pertinentes como a greve nas universidades, e nos hospitais públicos passa, salvo uma nota tacanha aqui e ali, sem ser notada. Creio cada vez mais que o futuro, mostrado no filme Idiocracia será o que teremos pela frente. Ainda bem que já estarei morto.

Se ainda duvidam, assistam o filme e tirem suas próprias conclusões:

Do amor nada sei


Do amor nada sei,se dele fizer prisão. Se for uma poesia bonita declamada sem alma ou verdade ou se não puder gritar ao mundo que amo, e amo em profundidade, não será amor. O homem é amor, ausência e falta dele. matamos e morremos por amor. Amamos causas, pessoas e animais, às vezes nos amamos também.
Ter uma pessoa ao lado como coisa,  possuir, conter ou refrear...não rimam com amar. Amar é saber o tempo, é errar a dose - exagerados sempre são os que amam, de verdade. Quem ama esquece o texto, perde a paciência  - e pede perdão. Chora e ri, assiste o filme chato sem dormir, "cola" na pessoa como carrapato. Liga várias vezes ao dia e fica calado (quer escutar) e se fala se atropela nos quês e nos porquês.  Você já amou sabe disso, sabe do que falo. Se amou e não foi correspondido ou foi ilusão, não lamente, você amou ao menos uma vez. Estrada sem rumo e viver sem amar, se a minha jornada terminar agora, terei completado todos os meus caminhos, pois levarei sempre comigo o amor que me preencheu...
e se no findar de meus dias olhar para trás, sorrirei e poderei abraçar meus demônios sem medo, pois com esse amor venci-os todos.

Zeitgeist

Documentário muito bom, vale a pena assistir e refletir...

http://www.youtube.com/watch?v=SXl7mRb5Tww


ATENÇÃO

    Evitando qualquer processo judicial que poderia ocorrer contra a minha pessoa, declaro, desde já, que o conteúdo deste site pode não corresponder à realidade e expressa apenas as minhas idéias a respeito dos temas/assuntos, ideias estas publicadas aqui, preservando e colocando em uso o meu direito de liberdade de expressão garantido pelos artigos 5o e 200o da Constituição Brasileira.

O homem que apanhava estrelas (adaptado de "The starcatcher"


         Das várias histórias e figuras da minha infância que guardo na memória, uma que ficará para sempre gravada é a de um forasteiro que veio morar no pequeno povoado em que nasci, quando da construção da linha de trem, que prometia ligar o litoral ao outro extremo do continente, trazendo progresso e civilização. Trouxe gente de todas as cores e falas,costumes estranhos. 
Nós, naturais do lugar, aprendemos a conviver e aceitar essa nova situação, assim como abríamos as mãos para receber os cobres que ganhávamos pelos mais diversos serviços para atender aos novos moradores. 
Pequenos comércios surgiram em cada porta, onde se vendia de tudo: rendas e bordados, serviços e os mais diversos quitutes. E para as mais licenciosas e já passadas dos anos sem casamento a vista surgiu a oportunidade de oferecer certos “serviços” dos quais não se faz propaganda, mas que em todo povoado e cidade existe. 
E com isso a nossa pequena vila começava a tomar forma de pequena cidade, à medida que as obras para receber a ferrovia aumentavam. 
Mas o que era sonho logo acabou. A ferrovia veio, mas por um desses caprichos do destino (atendendo ao interesse de importante político) resolveu-se mudar o trajeto para outro municípo a quilômetros da nossa vila. Com isso, do mesmo modo que os forasteiros (e principalmente o seu dinheiro) surgiram, do dia para a noite se foram, deixando para trás algumas contas não pagas, uma meia dúzia de bastardos (chamados pela gente faladeira e maledicente de filhos do trem) e umas tantas desiludidas mal faladas e sifilíticas que ficaram a esperar as promessas de casamento que nunca iriam acontecer.
De todos os forasteiros sobrou apenas um que nomeia essa história que conto agora, e mesmo passados tantos anos, da minha meninice ao término de uma vida, ainda flutua em meus pensamentos tão viva que bem poderia ter acontecido agora a pouco. 
Esse forasteiro, ninguém soube precisar porque, não partiu ao raiar do dia como os demais. Continuou a morar num pequeno sobrado que comprara ao chegar à cidade de uma viúva local, que, mal pegando valor acertado da venda, partiu como tomada por loucura, gritando coisas que ninguém entendeu e sumiu-se por esse mundo afora.
De começo, sua presença passou quase sem alarde, mas à falta de coisa melhor para fazer, não demorou muito a sua estada ser assunto de todas as rodas, das velhas faladeiras aos poucos homens de letras, todos só comentavam o “porquê” do forasteiro não ter partido.
A curiosidade se tornou tamanha, que um grupo resolveu investigar por conta própria. Indagaram o dono do armazém que lhe mandava entregar mantimentos, e ele só respondia que se limitava a mandar deixar as encomendas através de moleques de recado, que por sua vez pouco ou nada sabiam. Chamaram pela preta velha que cuidava da casa desde o tempo da antiga proprietária que  com seu falar desdenhoso esbravejou: - em assunto de patrão eu não me fio e nem me enfio, fico no meu canto e dele não saio. E deu de costas rindo alto às gargalhadas. Procuraram pelo Dono do único botequim que sobrara na cidade, nada. Pelo padre que dizia a missa aos domingos e pelo sacristão que tinha fama de mexeriqueiro, tiro em vão, nada sabiam também. Não frequentava a rua das putas tampouco e nunca saia de dia, apenas em noites de céu estrelado quando se dirigia com sua luneta e outros petrechos (por este motivo ganhou das crianças a alcunha de "apanhador de estrelas") rumo a um morro próximo aos limites da cidade onde ficava por horas esquecidas. Quando era visto na rua e alguém lhe dirigia a palavra, retirava o chapéu, sorria e retomava seu passo, sem dizer palavra.

À medida que a cidade ficava cada vez mais pobre, triste e sem esperança pela volta da prosperidade passada, maior era a curiosidade que brotava na alma de seus moradores, e todos, na intimidade, tramavam ser os primeiros a descobrir o motivo desse estranho ainda ficar nessa vila condenada, onde as pessoas só ficavam por costume, ou medo de se aventurar mundo afora.

Numa noite quente e sem lua, alguns rapazes, cheios de ressentimentos e com a coragem que só a bebida dá, resolveram descobrir o mistério por trás daquele estranho que não falava com ninguém, (talvez, pessavam eles, por se julgar superior) e que se vestia de modo diferente ao do povo ordinário.
- Ele não frequenta o bar, só deve beber coisas finas, nossa cachaça não serve pra ele! Disse um mais amigo do álcool. 
- Não vai à igreja aos domingos, não é temente a Deus, e um homem sem Deus no coração não é digno de confiança! Falou um mais ressentido.
 - As nossas mulheres ele não procura, ele é tão melhor que nós assim para não se deitar com gente da nossa laia? Ao que todos concordaram.

Armados de paus,pedras e foices tocaram rumo ao sobrado do fim da rua, gritando e cantando coisas sem sentido, mas com muita raiva em cada sílaba. A esse coro juntaram-se velhos, doentes e toda aquela, até então boa gente da cidade. Gritando seus ódios pessoais e dirigindo-se a casa do estranho homem, que parecia não ter ouvido ainda os brados da turbe enfurecida. Mas se ouviu, porque não fugiu? 
De nada adiantaram os rogos do padre, pedindo bom senso, nem as ameaças do comissário de polícia e seus dois ajudantes esquálidos, não haveria balas e cela de cadeia para uma cidade inteira, que há essa hora em profana romaria enchia a rua principal, da pacata vila.
Nós, as crianças fomos poupadas do que veio a seguir, pela nossa preceptora que apesar do pouco tamanho e timidez de voz assumiu figura colossal a nossa frente e nos ordenou que a seguíssemos para a escola com ela onde passamos a noite toda cantando a plenos pulmões, para não ouvir os impropérios gritados por todos, até pelas senhoras mais recatadas.
O que conto a seguir é meio boato meio verdade, tirado de depoimentos colhidos de quem participou  do ocorrido.
Ao chegar frente ao sobrado a turba gritou por seu proprietário: Saia maldito, saia! E ele saiu. Saiu e foi espancado, cuspido e humilhado, como se fosse causa de todos os pecados do mundo, causa da ferrovia não passar mais na vila, do dinheiro e da fartura sumirem. Enquanto uma parte pilhava a casa, roubando o que podiam, e com sorrisos satisfeitos comemoravam o fruto da pilhagem outro grupo ateava fogo no que julgava inútil (livros, discos e pinturas estranhas, sem formas definidas).
Os mais exaltados, porém, e esses eram maioria gritavam em coro: Mata! Mata! E nesse frenesi que pareceu durar uma eternidade não se ouviu uma vez sequer o estranho, questionar o porquê do que estava lhe acontecendo. Quando o povo viu que o homem estava envolto em sangue e já prestes a dar seus últimos suspiros, deixaram o padre se aproximar e ouvir suas últimas palavras, um a um foram se retirando e o deixaram caído em meio a sangue e areia...
No dia seguinte, logo cedo o papa-defunto, a mando do pároco, retirou o corpo roto da rua, limpou e enterrou o estranho, e marcando sua cova com uma lápide onde podia se ler o seguinte epitáfio: "Sinceridade é como uma roupa que quando lhe serve, você não pode comprar, e quando compra não lhe cai bem. Agora voltarei a me vestir conforme a ocasião...e nunca mais confiarei na humanidade."
Após isso, o padre tirou a batina fechou a igreja e deixou a cidade, falando que deus já a havia abandonado muito antes. Dizem que se matou pouco tempo depois, atormentado talvez pelas últimas palavras do estranho. Desse momento em diante a cidade, como que tomada por uma praga foi definhando cada vez mais, e seus moradores foram vivendo e morrendo suas vidas como se nada houvesse acontecido, como se não tivesem participado do crime. Não falavam entre si sobre o assunto, mas olhavam uns para os outros com olhares de culpa. E desse momento em diante, não houve paz, nem esperança. Ela morreu com o estranho e como ele ficou, sem nome e sem voz...



Sugar on the floor - Tradução

Adoro a letra dessa música, cantada por Etta James ou Elton jhon não importa...
traduzi para você minha alma, minha flôr, shirlena.

 Açucar no chão

Tudo que preciso,
tudo que preciso é de alguém para amar
Tudo que preciso,
tudo que preciso é de alguém que se preocupe comigo
Então não vou ser desperdiçada
Oh, perdida no chão
Oh I, oh I
Eu me sinto como se fosse de açúcar no chão


É agradável estar com você
Mas meus lábios não queimam
Eu me sinto tão insegura
Quando você tenta ser gentil
Será que poderia, poderia pedir mais?
Sinto-me como o açúcar no chão
Açúcar no chão
Açúcar no chão


Olhando agora sei que você só quer estar comigo
Mas mesmo assim preciso de um motivo para deixar o passado para trás
Não há um jeito fácil
Não há um jeito fácil
De aprender a voar
Espero poder cuidar
Quando me viro você está lá
Devo, devo pedir mais?
Me sinto como o açúcar no chão
Me sinto como o açúcar no chão
Açúcar no chão


 É agradável estar com você
Mas queria que estivéssemos mais próximos
Porque estou vivendo um sonho
E não posso te mostrar
E ainda assim você é tão gentil
Quando, quando estaria certa?
Me sinto como se fosse açúcar no chão
como o açúcar no chão


Tudo que preciso,
tudo que preciso é de alguém para amar
Tudo que preciso,
tudo que preciso é de alguém que cuide de mim
Então não vou ser desperdiçada
Oh, perdida no chão
Oh I, oh !
Me sinto como se fosse açúcar no chão



A palavra certa

Quando conheci você te ofereci uma flor, recurso universal dos enamorados. Plantastes então dúvidas e curiosidades. Logo te mostrei o meu (quase nunca usado) sorriso sincero e recebi em troca olhares de desconfiança.
Procurei as palavras, minhas e de outros para evidenciar minhas certezas e sentenças – em vão. Citei Leminsk, Bandeira e Whitman; cantei Baden, Cartola e tantos mais; todos os dias. Ouvi injustiças.
Por pecados meus de ontem, há muito esquecidos, pedi perdão e até pelos de um improvável amanhã. Quebrei barreiras dizendo a mim, ao mundo e a ti o quanto és e o que és. Encontrei no eco de minhas palavras não aceitas a certeza de que, se estava fadado a sofrer, seria por ti.
 - Tamanha era (é) minha certeza deste e de todos os sentimentos idos ao teu encontro que não encontram abrigo.
Existe a palavra certa para exprimir o que sentimos e pensamos? Existe o momento certo para saber amar?
Sempre achei que palavras são como roupas, muda-se o estilo e quem veste/escreve muda também. Não media o tempo, vivia a certeza da brevidade da minha existência e me agarrava as minhas convicções com tanta força e paixão que cada fim de dia era comemorado como um milagre em particular, verdadeiro momento da criação. O mais próximo de Deus que pude chegar.
Mudei minhas vestes, parei o tempo – tu, meu universo particular.  – com leis e regras próprias. Onde sou pequeno como uma gota, infinito e completo.
Você é meu lugar, minha terra onde os dias tem todas as horas, as tristezas e alegrias são infinitamente maiores.
 Não sou sombra, sou de carne e agora sangro.
Sou bom porque sou contigo
O que não fui e nunca quis ser.
Você pode não ser minha alma, mas ajudou a moldá-la.



Brilho dos meus olhos, alvo de meus desvelos...

"Uns tomam éter,outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria..."(M.bandeira)


E eu que, no decorrer dessa minha vida desregrada, loucos anos, tive muito e pouco dei de mim. Quis demais e nada (re)tive. Procurei na artificialidade momentânea da expirementação o que não encontrei em nenhum ser vivente. 

Sem promessas, ou aviso, apareceu e criou laços e me deixei entrar nesse estado de querer, poder ser e desejar, não voluptuosamente apenas, mas com um desejo irradiante a ofuscar meus olhos e queimar a pele.

Ainda sinto as dores e vivo muito do cinza
Ainda temo e sofro meus males
Mas no horizonte que contemplo
em verdade de sentimentos e quereres digo
Alma minha, está aqui: Você
Brilho dos meus olhos, alvo de meus desvelos...



   

O que é a didática do ensino superior e como você compreende a didática na atualidade?



A didática é a ferramenta mais importante para o profissional de qualquer nível de ensino e deve ser levada em conta em todas as etapas deste, tem lugar desde o planejamento das atividades até o momento da avaliação. Ela reúne os saberes e valores que serão repassados à clientela e que tornarão a disciplina interessante e acessível. A didática na academia deve ser um dos principais recursos a ser contemplados e deve ser buscada como pré-requisito per se para ser diferenciada, abrangente. Enquanto técnica de dirigir e orientar a aprendizagem deve estar sempre em processo de construção; como técnica de ensino definirá o nível de comprometimento do profissional, pois este deve estar sempre atualizando sua relação com a(s) disciplina(s) que ministra. Como ferramenta sua aplicação é limitada a percepção que o usuário faz da importância dela, e quanto maior a necessidade de se trabalhar este ou aquele aspecto maior será a necessidade do profissional em dominá-la.

(José cláudio soares, Professor, Especialista em Docência do Ensino Superior)

BAIÃO DE DOIS



Trabalho em uma cidade onde a migração nordestina foi intensa e onde a cultura dessa região se faz muito presente. Apresento um prato (com algumas modificações minhas, para o prato original cliqueaqui) que aprendi a gostar muito.

Baião de dois
1 kg de feijão
½ kg de arroz
½ kg de queijo coalho
1 cebola grande picada
Alho picado
cebola
100g de bacon
Cheiro verde
Pimenta e cominho
Coloral (ou urucum)
Sal a gosto
 Modo de preparo
Leve o feijão ao fogo em uma panela com ½ litro de água, quando o feijão começar a amolecer, corte o bacon e frite com alho e cebola, cheiro verde, sal, pimenta e cominho. Acrescente ao feijão e jogue o urucum. Deixe ferver e coloque o arroz. Quando a água começar a secar, misture o queijo picado, baixe o fogo e deixe terminar de cozinhar. Sirva sozinho ou como acompanhamento.